
Enfim...eis me aqui!
Longe dos ruídos e dos prantos, longe daquilo que outrora me incendiava
me lancei no mar da incerteza e de lá comtemplei o que perdi.
Num passado distante, voei como os pássaros, rastejei como uma serpente no deserto escaldante, me aventurei por mundos inimagináveis, fui ao Céu e ao Inferno, hoje estou aqui.
Sou prisioneiro de meus proprios sonhos, meu velho coração está cansado de tentar achar respostas, mas ao mesmo tempo que não tenho mais perguntas.
No vácuo dos meus sentimentos foram-se o medo, o orgulho, e agora sinto de verdade que é muito tarde para recomeçar.
Eu vi com meus proprios olhos, a vida seguindo seu curso, sem perder tempo, e sem pressa, sem se preocupar com o MEU TEMPO, a vida seguiu seu curso, todos aqueles que um dia me rodeavam, agora não passam de rostos distraídos no meio da multidão.
Meu norte já não estava mais lá, era um lugar distante, frio e seco, eu já não sinto mais a dor, meu corpo e minha mente, completamente anestesiados pelos duros golpes que desferi contra mim mesmo, sinto-me como a areia que a onda leva e não traz de volta.
Sinto que meus pés não conseguem mais tocar o chão, e que minhas mãos já não mais alcançam as estrelas, eu não sei mais como me transformar em vento.
Me desprendi de mim mesmo, fui para longe, bem longe, e não sei mais o caminho de volta pra casa, me despedi do meu sorriso, da minha canção, das minhas palavras e das minhas lágrimas.
Hoje, eis me aqui, entre ilusões e devaneios, deixei a minha criança para trás, desisti de crescer, hoje, eu me abnego do meu destino, já não sei mais pra onde seguir.










